Chuva,nuvens e uma garota.


-Você precisa continuar a trilhar o seu caminho,Ever.

Sim,ela precisava.

Com ou sem ele,com ou sem o gosto quente de seus lábios nos seus,com ou sem a sua respiração tocando sua nuca,ela precisava continuar.E tudo parecia tão fácil,era só continuar o seu caminho...Sem ele,isso se transformaria apenas em um detalhe casual e ela continuaria a viver,por mais doloroso que conjugar esse verbo se transformasse.

Ela continuaria.

Seus pés pareciam fortes o suficiente para continuar seguindo um caminho,porém,seu coração estava perdido,sem rumo.Sem ele,o caminho pareceu desaparecer e talvez,seja isso,ele sempre fora o seu caminho.

As pedras que ela pisava,o caminho que ela trilhava;tudo,era ligado a ele e agora ele,não estava lá.E consequentemente,o caminho também não.

-Não me diga para seguir em frente,eu sempre segui você.Não tenho um caminho para seguir se não tenho você.

-Ever,você vai encontrar um caminho.Apenas siga o seu coração.-disse ele,tomando suas mãos em direção as mãos e logo voltando atrás,sentindo que poderia dar a Ever esperanças desnecessária e ilusórias.

-Seria ótimo seguir o meu coração,se ele tivesse inteiro.Obrigada por isso também.-ela disse enquanto ouvia em silêncio seu coração chorar e os cactos quebrarem,como vidros machucando ela mesma por dentro.Ela estava sangrando."

Como seguir o coração,quando ele parece ter desistido de você? Como seguir o coração se ele apenas mostra o rosto de alguém que está indo embora? Como seguir o coração quando ele também não sabe a direção?

Todos que consolavam Ever saiam com braços e ombros umedecidos pelas suas lágrimas,porém,era ela que se sentia afogada nas mesmas.

-Quero que fique bem.

-Faça com que eu me sinta bem,não é difícil.-implorou,rodeando o pescoço dele,com suas mãos e acariciando-o.-só fique comigo.Eu ficarei bem.”

A chuva na estrada estava intensa e densa,o coração de Ever estava acelerando á medida que o carro acelerava.Estava seguindo com uma convicção admirável o caminho que ainda era desconhecido,porém,precisava seguir.

Mesmo sem ter algo para seguir,ficar parada não parecia animador.Correr sem rumo também não,porém,entre correr mancando e ficar parada ouvindo o som que suas próprias lágrimas faziam,a primeira opção parecia mais saudável.

Ela resolveu abrir a janela do carro,mesmo com a chuva.Resolveu sentir a água em sua pele e em seus cabelos,aquilo parecia algo tão familiar e aconchegante,tudo que precisava.

-Chuva,você não é sozinha.Quando não resolve vir aqui acariciar a minha pele,o que faz?-questionou ela,em voz alta.

-Eu me encolho entre as nuvens -uma voz soou no ar.

A menina dos cabelos avermelhados,pelo branca e bochechas vermelhas,arregalou os olhos e abriu a alma.

-E porque você as deixa? Elas parecem ser tão acolhedoras...

Agora,estava rodando em círculos fora do carro,procurando captar a voz.Mesmo em seu sub-consciente entendo que ela não era palpável,ainda sim...Procurava.

-Querida Ever,todos nós...Precisamos sair do nosso ambiente de conforto para enfrentar outras coisas.Ficar sempre guardada nas nuvens seria ótimo,porém,eu desço e venho aqui banhar a terra com toda a força e energia que recebo dos céus.

E de repente,a chuva parou.E foi como se as gotas grossas de água subissem e se encontrassem novamente com as nuvens.

-Ficarei bem.-sussurrou Ever para si mesma,acordando de um relapso.

Ever caminhava confiante e trilhava o seu caminho.

Quando o medo e a solidão se instalavam em seu corpo,ela se sentia acariciada pela chuva e protegida pelas nuvens acima dela.A doce menina que sangrava por dentro, finalmente entendeu: não é possivel viver em um eterno conforto,sempre é necessário sair de nossa zona de conforto e caminhar sozinha.

A chuva desce das nuvens e banha a terra,sozinha.Dessa maneira,Ever continuaria o seu caminho,sem ele e se fosse preciso iria se dobrar: viraria uma tempestade.

-Você me parece tão bem.-disse sua mãe,feliz e assustada com a súbita mudança emocional de sua filha,Ever.-Adoro te ver como antes.

-Digamos que...A chuva me aconselhou.

A mãe não entendeu,porém,apenas assentiu com a cabeça como se soubesse exatamente do que ela estava falando e abraçou a filha.Tentando lhe dar todo o conforto que tinha para oferecer.

-Você é a minha nuvem.E eu preciso ir.

A chuva começou e terminou em uma questão de segundos.Ever,sentiu que a sua rápida passagem,foi apenas para assegura-la de que seu caminho estava esperando.Enquanto se olhava no espelho,sentiu uma lágrima cair de seus olhos e molhar seu rosto,a ultima lágrima de tristeza por ele,a lágrima de despedida,seguida por um sorriso.

E talvez a chuva representasse as suas lágrimas e assim como a chuva,elas teriam que parar em algum momento.A chuva sempre pára para dar lugar ao sol.A danada da meteorologia deveria mudar para Ever,as estações sempre mudam.

Arrumando seus cabelos,Ever se aproximou do espelho e sussurrou para seu reflexo:

-Vamos ficar bem...Nós vamos,não é?-questionou,respondendo dentro de si mesma que “sim”.

Os passos de seu salto que ecoavam pelo chão de madeira do apartamento,era apenas uma parte do quanto essa garota iria andar para frente.Seus passos estavam tão fortes como uma tempestade e seu olhar tão brilhante como um dia ensolarado.

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Carioca,leonina,amante da noite e do frio,a ''psicóloga'' de todos os seus amigo e acredita que a vida pode ser mesmo um palco,uma passarela ou qualquer coisa que tenha você no centro de tudo. Acredita em Deus,mas não no Deus de todo mundo. Acredita em anjos,mas estes estão bem aqui,na terra. Acredita em milagres e que eles vem de você. Acredita que as palavras tem poder e que o silêncio também. Acredita que se você acreditar muito em alguma coisa,todos vão acreditar e tudo pode se realizar. Todas as letras espalhadas tentando se encaixar formando palavras e estas formando um humilde texto: são de minha autoria.Não que eu acredito que alguém realmente se interesse em publica-los,mas se for fazer isso: me avise.

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